top of page

Third Stream Jazz

Quando o jazz encontra a música de concerto


O termo Third Stream foi cunhado no fim dos anos 1950 pelo compositor e instrumentista de trompa Gunther Schuller para descrever uma terceira corrente musical que unia duas tradições: o jazz e a música clássica. Ao lado de músicos como John Lewis, George Russell e Gil Evans, entre outros, Schuller buscava criar uma linguagem híbrida em que a improvisação e a composição escrita coexistissem. Nas décadas de 1950 e 1960, essa ideia parecia radical: jazz com forma de suíte, orquestração de música de câmara e influência de compositores modernos. No entanto, com o tempo, o conceito se expandiu e influenciou desde big bands experimentais até projetos contemporâneos que misturam jazz, música clássica e outras tradições. Esta playlist percorre uma pequena área deste rico território: dos pioneiros do Third Stream às obras que ampliaram seu espírito nos anos seguintes.


1. “All About Rosie” — George Russell

Uma das peças mais famosas de Russell e pioneiras do Third Stream, que mistura escrita complexa para ensemble com espaços para improvisação, além de quebras e mudanças de ritmo.


2. “Concierto de Aranjuez: Adagio” — Miles Davis

Arranjado por Gil Evans, o álbum Sketches of Spain funde jazz com música espanhola e orquestração sinfônica. Embora não seja oficialmente um tema Third Stream, tornou-se um dos exemplos mais influentes dessa fusão, também muito pelo ano em que foi lançado (1960).


3. “I Remember When” — Stan Getz

Com arranjos de Eddie Sauter, o álbum Focus (1962), de Stan Getz, traz o saxofone improvisando sobre uma orquestra totalmente escrita. O resultado é lindo, e soa como um concerto moderno para sax e cordas.


4. Medley: "Mode D – Trio and Group Dancers", "Mode E – Single Solos and Group Dance", "Mode F – Group and Solo Dance" — Charles Mingus

Não é à toa que The Black Saint and the Sinner Lady, do Angry Man of Jazz, Charles Mingus, é considerado um dos maiores discos de jazz da história. O álbum é composto por uma peça única e contínua — parcialmente concebida como um balé — organizada em quatro faixas e seis movimentos. Uma estrutura quase coreográfica aproxima Mingus do espírito Third Stream.


5. Seven Studies on Themes of Paul Klee — Gunther Schuller

Schuller traduziu as obras de Paul Klee em música na peça Seven Studies on Themes of Paul Klee. Cada movimento cria uma correspondência sensorial única entre os elementos visuais e sonoros. Esta faixa ilustra um pouco da fusão entre o jazz e o erudito, com um tom lúdico e sombrio.


6. “Django” — Modern Jazz Quartet

O quarteto que tinha o pianista John Lewis e o vibrafonista Milt Jackson levou o conceito de “jazz de câmara” ao mainstream, sempre com improvisos e uma execução erudita do jazz.


7. “City of Glass (First Movement: The Structures”) — Stan Kenton

Uma das composições de Bob Graettinger deste álbum que transforma a big band em laboratório modernista. Harmonias densas e estruturas abstratas aproximam o jazz da música contemporânea de um jeito interessante.


8. “Symbiosis, 2nd Movement” — Bill Evans

Composição de Claus Ogerman para piano e orquestra. A peça funciona como um concerto moderno em que improvisação e escrita orquestral coexistem, com a sutileza de Bill Evans, que quase consegue fazer o tempo parar.


9. “Escalator Over the Hill” — Carla Bley

Uma ambiciosa “ópera jazz” que funde diferentes estilos com a instigante improvisação que permeia o jazz. O projeto ampliou o alcance do espírito Third Stream nos anos 1970.


10. “The Silver Lining Suite” — Hiromi Uehara

Neste exemplo contemporâneo da ideia do Third Stream, esta pianista japonesa combina jazz virtuoso com escrita para quarteto de cordas em formato de suíte.


11. “All That Is Tied” — Ran Blake

Uma faixa que combina a atmosfera introspectiva e minimalista deste pianista, marcada por silêncios e tensão.  A peça transita entre estrutura erudita e liberdade jazzística.


12. “Intuition” — Lennie Tristano

Um estilo free e radical, que rompe com a estrutura tradicional do jazz e apresenta a improvisação de maneira coletiva e totalmente livre. Não parece haver uma melodia ou harmonia pré-definidas. A peça se constrói no momento, com forte senso de interação.


13. “Blue Rondo à la Turk” — The Dave Brubeck Quartet

Ritmos incomuns inspirados na música turca, com a estrutura do jazz moderno. A peça alterna entre seções rigorosamente escritas e momentos de improvisação. E o resultado revela a aproximação de Brubeck com ideias do Third Stream, misturando referências eruditas ao jazz.

plexas, unindo percussão rítmica e harmonias densas com extrema maestria.


14. “Nocturne Vulgaire / Arise, Her Eyes” — Gary Burton

A delicadeza do erudito combinada com a fluidez melódica do jazz. Uma peça que explora texturas refinadas e um diálogo sensível entre o vibrafone de Burton e sua banda.

Comentários


bottom of page