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O Novo Jazz Brasileiro

 Não é apenas uma evolução técnica, mas uma revolução de identidade.


Parece um momento vibrante para a música instrumental brasileira. O Novo Jazz Brasileiro que apresentamos nesta playlist não é apenas uma evolução técnica, mas uma revolução de identidade.


O "abre" da nossa curadoria destaca como essa geração — ou mesmo gerações antigas em novas formações — rompeu as barreiras entre o instrumental puro e a canção. Temos aqui faixas que trazem muito vocal, incorporando a voz não apenas como um instrumento melódico, mas como portadora de poesias urbanas.


São instrumentistas que equilibram o virtuosismo técnico com uma sensibilidade profunda, bebendo tanto do free jazz e do bebop quanto do samba-choro, do afro-samba e do hip hop. De formações íntimas em duo a sextetos, o que se ouve é um Brasil que improvisa sobre suas próprias raízes para criar algo absolutamente genial e contemporâneo. Pode apertar o play sem medo. 


1. Karine Telles e Fábio Leite – "Buscas"

A voz envolvente de Karine encontra o piano sensível de Fábio em uma composição que traduz as delícias e os desafios da vida urbana.


2. Rubens Farias – "Bom Dia São Paulo"

Este baixista de técnica refinada e que gosta de explorar harmonias complexas aparece aqui em ritmo acelerado.


3. Pedro Martins – "Isn’t It Strange?"

O guitarrista prodígio funde o jazz moderno com uma estética solar e texturas de guitarra e vozes inovadoras.


4. Marcos Nimrichter – "Amalgamation"

Pianista magistral que transita com fluidez entre a música de câmara e o improviso jazzístico.


5. Sergio Reze e André Mehmari – "Outono"

O encontro entre a "bateria livre" de Reze e o piano lírico de Mehmari resulta em uma simbiose erudita cheia de contrapontos que soam espontâneos.


6. Salomão Soares e Vanessa Moreno – "Vento de Maio" 

Um dos duos mais inventivos da atualidade une o piano moderno — que não apenas acompanha, mas toca junto — a uma voz que usa o scat e o ritmo de forma perfeitamente integrada.


7. Amaro Freitas – "Y’Y"

O mestre pernambucano desconstrói o piano para evocar, nesta faixa, sons da floresta e de rios, em uma jornada espiritual e ancestral.


8. Dora Morelenbaum – "Venha Comigo"

Com uma linhagem nobre da MPB e uma linguagem fresca, Dora traz muita elegância em arranjos que flertam com o jazz e a bossa contemporânea.


9. Sidiel e Sidmar Vieira – "Eu Me Calo de Vez"

Os irmãos Sidiel, um exímio contrabaixista e Sidmar, trompetista, apresentam aqui uma composição de Joel Timoner, em um arranjo que dá vontade de deixar no repeat.


10. Noa Stroeter – "Dinda"

Baixista e compositor que traz uma sonoridade moderna e cosmopolita, pontuada, aqui, por um arranjo introspectivo, pontuado por sopros refinados.


11. Caixa Cubo – "Osaka"

O Trio que é referência na cena atual é formado por Henrique Gomide (teclados), João Fideles (bateria) e Noa Stroeter (baixo). Apresentam um jazz de vanguarda, rítmico e com uma comunicação quase telepática entre eles, mas com muita brasilidade.


12. Jazz das Minas – "O Nascimento do Amor"

Liderado por Maíra Freitas, este coletivo feminino poderoso une afro-samba e jazz em uma exaltação à força da mulher preta.


13. Virtuoso Piston – "Descansado"

O diálogo raro entre o trompete de JJ Simões e o violão de Igor Lazier renova a tradição do choro com virtuosismo e lirismo. Vale a pena conhecer.


14. TRIC JAZZ_ROK – "Paranapiacaba"

O projeto do experiente violonista/guitarrista Luiz Bueno (Duofel) mergulha na fusão entre a improvisação totalmente inesperada e uma sonoridade fusion, com uma pegada progressiva e envolvente.


15. Josiel Konrad – "Pretos"

Trombonista de destaque que usa seu instrumento para narrar vivências urbanas através de um jazz autêntico, cheio de grooves, harmonias ricas e vozes.


16. Conde Favela Sexteto – "Na Fronteira" 

O grupo do ABC paulista entrega um jazz espiritual com sotaque potente das periferias e muita desconstrução sonora.


17. Otis Trio – "Veias Abertas" 

Experimentalismo e crueza marcam este trio que explora o free jazz com uma intensidade visceral. Nota: não se assuste com as mudanças repentinas.


18. Sintia Piccin – "Five Elements"

Uma saxofonista virtuosa que combina influências do funk e do soul com uma linguagem improvisadora vigorosa e ultramoderna.


19. Frederico Heliodoro – "I‘m Tired of Being So Hype"

Referência no baixo contemporâneo, Frederico une canções, psicodelia e jazz em uma sonoridade totalmente autoral.


20. Thiago França – "Angolano"

O saxofonista (idealizador da Espetacular Charanga do França) explora aqui texturas africanas e latinas com muita liberdade criativa.


21. Antonio Loureiro – "Aldeia Coração"

Multi-instrumentista que cria paisagens sonoras complexas, unindo percussão rítmica e harmonias densas com extrema maestria.

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